Um lugar chamado Caçandoca

em 11 outubro, 2016

No último final de semana, programamos um passeio em família em Caraguatatuba. Para saber como foi, clique aqui. Ficamos hospedados em Caraguatatuba e no domingo resolvemos conhecer uma praia que o dono da pousada nos sugeriu. A praia do Caçandoca. Um paraíso escondido, rodeado de beleza natural e história.


Praia da Caçandoca - Ubatuba


A praia fica uns 15km da pousada onde estávamos. Mas valeu demais a pena , ter ido até lá. O acesso a esta praia é feito por uma estrada de terra a partir da rodovia SP-55, entre os kilômetros 77 e 78. A distância até a praia é em torno de 6 km com muitas curvas.


Praia da Caçandoca - Ubatuba
Esse gosta de aventura !!!
Durante o trajeto , que é uma estrada de terra a paisagem natural e pouco explorada, vai mostrando toda a sua beleza !


Praia da Caçandoca - Ubatuba



Praia da Caçandoca - Ubatuba



Praia da Caçandoca - Ubatuba



Praia da Caçandoca - Ubatuba


Quando chegamos na praia nos demos conta de que estávamos bem escondidos da cidade. A praia é rodeada de morros e montanhas, que deixam o visual ainda mais espetacular. Sem contar o descampado verde que avistamos assim que chegamos !!!

Praia da Caçandoca - Ubatuba



Praia da Caçandoca - Ubatuba



Conheça um pouco da história desse lugar !!! 




Comunidade Quilombola da Caçandoca

Esta comunidade fica localizada em Ubatuba, na Serra da Caçandoca ­área tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arquitetônico e Artístico - Condephat, através da Portaria n° 40, de 6/06/85, tendo sido o seu território reconhecido e demarcado pelo ITESP com 890 hectares.

Historicamente, o território da comunidade foi ocupado em meados do século XIX por uma fazenda de café e um engenho de açúcar, estabelecidos e desenvolvidos com base no trabalho escravo. Após a abolição da escravatura, surgiram vários herdeiros da terra, constituídos pelos filhos e netos, legítimos e espúrios, do antigo proprietário, os quais, juntamente com ex-escravos, tornaram-­se os legítimos possuidores da antiga fazenda.

O território ocupado pelos quilombolas é hoje identificado pelos nomes das diversas localidades que compõem a área pertencente à comunidade: Praia do Pulso; Caçandoca; Caçandoquinha; Bairro Alto; Saco da Raposa; São Lourenço; Saco do Morcego; Saco da Banana e a Praia do Simão. Nestes lugares surgiram os ­núcleos habitacionais que mantêm relações entre si e se constituíram como base na mesma unidade etno-cultural.

Até os anos 60, existiam na área por volta de 70 famílias e uma população de 800 indivíduos, que viviam em conformidade com o modo de vida antigo da comunidade, produzindo para a subsistência, praticando a pesca, fabricando a farinha e cultivando a banana, que se tornou a principal fonte de renda da comunidade.
imagem daqui




Uma prática agrícola comum entre os quilombolas da região era “o pousio da terra”, que consistia na abertura de clareiras na floresta e na plantação e que, depois, era deixada em repouso para que a terra pudesse recuperar seus nutrientes. ­O mutirão, chamado entre os caçandocas de "pitirão e ajutório”, era realizado nos trabalhos da roça, na construção das casas e no fabrico das canoas. Após o término dos trabalhos, realizava-se a “função”, que consistia no oferecimento de ­ comida e bebida pelo beneficiado e que era consumida pelos colaboradores em meio a uma dança chamada "bate-pé".

Na roça dos antigos caçandocas cultiva-se a mandioca, matéria-prima da farinha, principal produto da comunidade, e outros produtos, tais como feijão, arroz e cana, produzindo-se com esta última aguardente e rapadura e, também, o milho. Dentre as frutas, a banana ocupava o primeiro lugar, seguida pela laranja. A caça e a pesca eram práticas importantes para a dieta alimentar dos quilombolas. O prato preferido pela comunidade era o azul-marinho, feito com peixe cozido e banana verde.

As habitações eram de pau-a-pique e cobertas com sapé. O tratamento da saúde era feito à base das plantas medicinais e de acordo com os conhecimentos tradicionais da comunidade.As festas religiosas constituíam práticas culturais que unificavam a comunidade, transmitidas de uma geração para outra conforme a tradição, tais como as festas de São Benedito, Nossa Senhora do Carmo e São Gonçalo, sobressaindo-se entre estas a Festa do Divino.

A economia sustentava-se no excedente da produção para subsistência, que era comercializado nas cidades, às quais se acessava por via marítima, através de canoas a remo, nas quais também se transportavam os produtos adquiridos na cidade, tais como querosene, sal, ferramentas, pólvora, carne seca, tamancos e tecidos.

Após a construção da BR-l01, as terras da comunidade foram muito valorizadas, passando a ser objeto da cobiça dos especuladores imobiliários que se utilizaram de todos os meios para expulsar os antigos moradores de suas terras, desde ações judiciais, compras e indenizações, até violência física, não sendo incomum a prática de crimes, destruição de igrejas e o incêndio de habitações. 
Grande parte da população deixou a comunidade, permanecendo no local apenas 19 famílias que resistiram às pressões e conquistaram o reconhecimento oficial de que as terras pertencem à comunidade. 

Fonte:Litoral Norte de São Paulo. Secretaria de Estado do Meio Ambiente, coordenadoria de Planejamento Ambiental Estratégico e Educação Ambiental. São Paulo: SMA/CPLA, 2005.

Conheça um pouco mais vendo esses vídeos:







Histórias de superação e força fazem parte desse povo guerreiro, que merece todo nosso respeito.


Depois dessa aula de história , a gente também curtiu um pouco a praia. Olha só !!! 


Praia da Caçandoca - Ubatuba



Praia da Caçandoca - Ubatuba
repare nas águas cristalinas



Praia da Caçandoca - Ubatuba




Praia da Caçandoca - Ubatuba




Praia da Caçandoca - Ubatuba



Espero voltar logo para esse paraíso mais que especial !

Espero que tenham gostado !


Siga as redes sociais

FACEBOOK

INSTAGRAM

Comente com sua conta Blogger
Comente com sua conta Facebook
Comente com sua conta Google+

10 comentários :

  1. Nossa que delícia! Eu simplesmente AMO o litoral norte e em especial caraguá! Não conhecia essa praia e adorei saber mais sobre ela. São tantas praias escondidas que existem nessa região que a gente nem imagina!! Beijos

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi Pry, mas essa praia fica em Ubatuba. é bem escondida mesmo, mas vale a pena. bjs

      Excluir
  2. Eu sempre fui pra Caraguá e nunca me falaram dessa praia!! Como assim???
    O lugar é lindo e eu adoro quando fica mais afastado e não tenha aquele aglomerado de pessoas rs Já anotei para visitar a próxima vez que for para aqueles lados :)

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. OLÁ, Mulherzinhas SA, na verdade essa praia fica em Ubatuba , é bem escondida mesmo, mas vale muito a pena ! Um beijo !

      Excluir
  3. Ual, adoro praias escondidas! Obrigada pela dica, viu? Além disso ela aparentemente é tão limpinha e sem muvuca. Adorei.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sem muvuca, sem sujeira e sem bagunça ! vale demais a pena ! bjs

      Excluir
  4. Que lugar lindo, adoro praias assim, com muita natureza ao redor e pouca gente hehe =)

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Dá pra renovar qualquer espírito !!! Muito boa mesmo !!! bjs

      Excluir
  5. Ai que lugar delicioso, amei! Adoro praias assim, escondidas e cercadas por montanhas, dá uma paz e um tranquilidade tremenda.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. É muito gostoso. Vale a pena para passar alguns bons dias , pois é longe e difícil de chegar ! bjs

      Excluir

No @Instagram

Licença Creative Commons
Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial 3.0 Brasil.
Topo